quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Aspirina


Escrito por: Miguel A. Medeiros
Publicado em: 20 de junho de 2004
Resfriados, dores de cabeça, dores musculares, inflamações e gripe. Qual é a solução para estes problemas?
Aspirina é a solução. Pelo menos, é o que dizem os comerciais de TV. Quem nunca viu um dos comerciais da Aspirina? Acredito que todos os que assistem TV. Entretanto, o que é a Aspirina? Aspirina é uma marca registrada, pertencente a Bayer, empresa alemã de produtos químicos e farmacêuticos.  Esta marca, Aspirina, é um medicamento utilizado para diversos fins terapêuticos, tais como: analgésico, anti-inflamatório e desplaquetador sanguíneo (faz o sangue ficar mais líquido, mas "fino").
Caso você já tenha assistido um comercial deste medicamento, deve ter notado uma advertência em seu final. Esta é uma advertência que deve ser considerada, pois como dito, a Aspirina pode ralear o sangue e um caso de Dengue simples pode se transformar em Dengue hemorrágica (sangramento  sem coagulação do sangue). As plaquetas são as responsáveis pela coagulação sanguínea.
Qual é o princípio ativo da Aspirina? O seu uso é somente benéfico?
O princípio ativo da Aspirina é o Ácido Acetil-Salicílico (AAS), que faz parte do grupo de medicamentos chamado NSAID's - Non Steroidal Anti - Inflamatory Drugs ou drogas não esteroidal anti-inflamatórias.
O membro mais comum dos NSAID's é o ácido acetil-salicílico, cujo uso como medicamento iniciou-se no fim do século XIX.
Desde 400 a.C., era de conhecimento que a febre poderia ser baixada ao mastigar um pedaço de casca de Salgueiro. O agente ativo presente na casca desta planta foi identificado em 1827, como sendo um composto aromático, a Salicina, que poderia se transformar facilmente em álcool salicílico, por simples hidrólise. O álcool salicílico, por sua vez, poderia ser oxidado, dando origem ao ácido salicílico.
O ácido salicílico possui alta e efetiva ação sobre redução de febres, com atuação analgésica e anti-inflamatória. Entretanto, descobriu-se que ele possui, também, alta ação corrosiva às paredes estomacais. Sendo assim, o seu uso não não é recomendado com freqüência diária.
Para solucionar o grande problema da corrosão das paredes estomacais, o grupo -OH ligado ao diretamente ao anel aromático é convertido a éster acetato, dando origem ao ácido acetil-salicílico (AAS). Essa alteração na estrutura produz um composto com ação menos potente, mas também, menos corrosivo para o estômago.
álcool salicílicoácido salicílico ácido acetil-salicílico (Aspirina)

Quando falamos em corrosão da parede estomacal, estamos nos referindo, na verdade, é à "entrada" de íons H+ na parede estomacal.
Como a AAS é um ácido fraco, quando em meio fortemente ácido (como dentro do estômago, pH~1), a sua base conjugada, o íon acetilsalicilato, reage com o H+ e forma a molécula neutra. A membrana celular é permeável somente a moléculas neutras, então, a molécula neutra de AAS atravessa a parede celular do estômago. Nessa nova região a concentração de H+, [H+], é menor do que no estômago (meio é mais básico), então o AAS se ioniza, aumentando a [H+] no interior da membrana, provocando assim, sangramentos, ulcerações e irritações gástricas.  
O fato é que a absorção terapêutica da Aspirina, ou melhor, do ácido acetil-salicílico, é realizada no intestino, ou seja, só quando o AAS estiver no intestino é que a ação analgésica e anti-inflamatória terá efeito. A absorção realizada no estômago não tem grandes efeitos deste tipo.
Em um comprimido de Aspirina há 400 mg de ácido acetil-salicílico (AAS), quantidade relativamente pequena, mas de efeito terapêutico razoável. Para uma criança, a ingestão de 15 gramas de AAS pode ser fatal. Sendo assim, a Aspirina é mais perigosa do que se pensa e se vê nos comerciais de TV.
Um outro problema relatado ao uso deste medicamento é a Síndrome de Reye, um problema com sintomas de gripe, que ataca principalmente crianças e adolescentes.
 Alternativas
Alternativas ao uso do ácido acetil-salicílico, são outros NSAID's, o ibuprofeno e o naxopreno. 
O ibuprofeno é quase tão potente quanto o AAS, sendo menos propenso a causar distúrbios estomacais. Muitos atletas utilizam este medicamento como um "outro grupo básico de alimentos", devido a sua ação anti-inflamatória e anti-dor.
O naxopreno é, também, tão potente quanto o AAS, mas possui um diferencial, permanece ativo no organismo por um tempo superior a 5 vezes o tempo de permanência do AAS.
Ibuprofeno - encontrado nos remédios Advil, Motrin e Nuprin. Naxopreno - encontrado nos remédios Naprosin e   Aleve.
Referência Bibliográfica
1
Embalagem de Aspirina C, sabor limão, efervescente. Bayer S.A., São Paulo.  
2- PERUZZO, T.,M., CANTO E.,L., Química, 1ª edição, volume único; São Paulo, Editora Moderna, 1999.
Em alguns países, o uso do Ácido Acetil-Salicílico (AAS) foi banido para tratamento terapêutico, sendo empregado medicamentos como o ibuprofeno e o naxopreno, que são menos danosos para o organismo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Radioatividade, uma escolha

Muitos conhecem a radioatividade como fonte de desastres, devido a tragédias como o acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia (1986) e a abertura de uma cápsula de Césio-137, em Goiânia, Brasil (1987). Entretanto, as radiações podem ser muito benéficas à vida humana, tendo inúmeras aplicações.
Hoje, não se pode imaginar a medicina sem os aparelhos de Raios X. Eles são fundamentais nos diagnósticos de várias doenças, assim como pneumonia, doenças ósseas, entre outras.
Na agricultura e indústria de alimentos, a radioatividade é muito usada para eliminar os agentes deterioradores, fungos e bactérias, dos alimentos, já que muitos destes, quando frescos, não podem passar por pasteurização térmica.
Existem várias outras aplicações da energia nuclear que podem nos ser benéficas. Entre elas estão:  radiografias de peças mecânicas para diagnosticar defeitos; esterilização de diversos materiais, inclusive hospitalares; produção de energia elétrica, em usinas nucleares e até datação de fósseis e artefatos históricos.
Os elementos radioativos não são um mal em si, podem ser ser prejudiciais se usados de forma errada e maléfica, assim como podem trazer inúmeros benefícios se forem usados corretamente. Sabendo disso, cabe aos seres humanos fazerem suas escolhas, usando esse recurso para salvar vidas e não pra tirá-las.